quinta-feira, 10 de maio de 2012

Índios do Maranhão - Lista de ameaçados de morte!




Uma carta de repúdio à violência contra os índios do Maranhão foi divulgada esta semana pelo Conselho Missionário Indigenista, OAB e grupos de Direitos Humanos daquele Estado. Somente nos meses de março e Abril, três índios foram mortos e ainda há uma lista de jurados de morte. Entre os ameaçados estão o cacique da Aldeia Coquinho, José Luciano Clemente, de 50 anos de idade; Marciliano Clemente Guajajara, 33 anos (Aldeia Coquinho), Marcelino Clemente Guajajara, 37 (Aldeia Ilha de São Pedro) e Raimundo Carlos (Aldeia Bananal - T. I. Bacurizinho). Todos alegam estar sendo ameaçados por traficantes, assaltantes, estupradores e quadrilheiros, que atuam impunemente na região. 

Numa reunião em abril, na Aldeia Coquinho, os indígenas apresentaram várias possibilidades para solucionar os problemas que enfrentam na região, que é cortada pela BR – 226, que corta os trechos entre as cidades de Grajaú e Barra do Corda. A reunião foi na escola da Aldeia e vários representantes das lideranças indígenas e do poder público participaram.

Os líderes indígenas apresentaram à Polícia Federal várias denúncias contra a FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Como explicação para as dificuldades da FUNAI, o coordenador do órgãos na região explicou que há um processo de reestruturação da FUNAI, sobre tudo no Maranhão. O coordenador informou ainda, que está sendo organizado a CTL´s (Coordenações Técnicas Locais) para atender melhor as reivindicações dos índios.

Os indígenas criticaram a atuação de coordenadores da FUNAI de várias cidades da região e pediram a troca desses funcionários. Para a PF e Polícia Rodoviária Federal, os indígenas pedem que seja feito um cadastramento dos não índios que moram ou se infiltram nas Aldeias. Isso poderia diminuir o índice de violência e criminalidade. Também sugeriram a prisão de índios que praticam roubos, assaltos e etc... Os índios sugeriam também a formação de uma força de segurança composta por índios, como patrulheiros, para atuarem na vigilância dos limites das aldeias, por se conhecerem e saberem atuar diante dos seus costumes.


Voltaram a solicitar um posto da Polícia Rodoviária Federal com patrulhamento contínuo nos trechos de 22 km das terras indígenas na BR 226. A PRF apresentou as dificuldades em se implantar o posto no local, dizendo que os postos nas estradas do Maranhão tem uma carência grande. Acrescentou parceria entre os demais sistemas de segurança e, apresentou-se com uma operação de segurança durante dez dias nas áreas.
 
A polícia apresentou certa limitação na presença da Polícia nas reservas indígenas e propôs que os índios denunciem os não indígenas que agem na reserva, apresentando nomes dos praticantes de assaltos e outros crimes. Os índios, através do cacique Raimundo, relataram a colocação de uma tora de Jatobá, interditando “uma das mãos” da BR 226, e que ela permanecerá lá até que sejam atendidos pelo procurador.

Informaram que serão recebidos pela governadora do Estado Roseana Sarney e por senadores, no Congresso Nacional, para reivindicar seus direitos. E deram prazo até o final deste mês para resolução dos grandes problemas da reserva. Entre estes problemas, está a segurança pessoal do cacique do Coquinho de nome Luciano, que está sendo ameaçado de morte.

 Na cidade de Grajaú, com caras pintadas arco e flechas, eles entraram na plenária da Câmara de Vereadores para pedir apoio. Denunciaram que pode estar havendo desvio da verba destinada à Aldeia e que deveria estar sendo aplicada na saúde e educação, ainda precárias na aldeia. O presidente da Casa disse que uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), tem que ser implantada na Câmara para investigar estes casos. O comandante da PM de Grajaú, capitão Jean Leví esteve no legislativo acompanhando as denúncias dos indígenas. A casa se dispôs a ajudar no que for possível.



Num trecho da nota de repúdio temos uma descrição trágica da situação dos índios do Maranhão: 


“Nos meses de março e abril deste ano, foram assassinados brutalmente três indígenas. No dia 2 de março, Maria Sara Gregório Guajajara, 13 anos, foi morta por seu companheiro não indígena, na cidade de Grajaú, vítima de estrangulamento. A indígena estava grávida; no dia  9 de março, Francisco da Conceição Souza Guajajara, 34 anos, agente indígena de saúde, foi executado com quatro tiros na cabeça na porta de sua casa, por dois homens numa moto, fato ocorrido às 18h30, na cidade de Grajaú; e no dia  28 de abril, a cacique da aldeia Coquinho II, Ana Amélia Guajajara, de 52 anos, foi executada com dois tiros por pistoleiros, que estavam numa moto, fato ocorrido em frente de sua família, também às 18h30. No assassinato de Francisco da Conceição Souza Guajajara, a dor se misturou à revolta. Ele foi baleado por volta das 18h30 e ficou agonizando no Hospital da Cidade de Grajaú até às 23h quando uma ambulância o levou para Imperatriz, distante  190 km, onde morreu por volta de 1h da madrugada do dia 29.

E o que as autoridades federais, a Funai, a Polícia do Estado farão para proteger os índios e por na cadeia estes criminosos?

Leia a íntegra da Carta: http://www.cimi.org.br/

Fontes:

http://realidadenatela.blogspot.com.br/2012/04/indios-guajajaras-lotam-camara-de.html


http://ascima-ma.blogspot.com.br/

http://www.jornalpequeno.com.br/2012/5/8/oab-e-ongs-denunciam-pistolagem-nas-aldeias-e-pedem-seguranca-aos-lideres-196553.htm

http://www.blogdolobao.net/2012/04/execucao-de-india-na-aldeia-estava.html

http://diariodabarra.com/noticias/apos-assassinato-de-india-lider-guajajara-pede-mais-seguranca


http://diariodograjau.com.br/?p=674

Nenhum comentário:

Postar um comentário